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Do outro lado da mesa: hoje eu sento ao lado de bancos e fundos

Por muito tempo, eu estive “do lado de cá”: apresentando planos, defendendo projeções, negociando condições, respondendo perguntas difíceis e, principalmente, tentando traduzir o meu negócio para a lógica de quem coloca capital em movimento.

Se você já viveu isso, sabe como é. A reunião termina e fica uma mistura de sensações: esperança, ansiedade, aquela vontade de ter respondido melhor uma pergunta, ou de ter trazido um dado a mais. E, em alguns casos, a impressão de que o jogo é “frio” demais — como se a sua história tivesse sido reduzida a uma planilha.

Hoje, a vida me colocou do outro lado da mesa. Eu passei a atuar ao lado de bancos e fundos, olhando oportunidades com as lentes de crédito, risco, governança e retorno. E a primeira constatação é simples (e talvez desconfortável):

não é um lado mais fácil — é um lado com responsabilidades diferentes.

A seguir, compartilho alguns aprendizados dessa virada de cadeira. Sem romantizar, sem demonizar ninguém, e com a intenção real de aproximar as duas pontas.



O que muda quando você passa a alocar (e não apenas buscar) capital

Quando você está captando, o foco naturalmente é:

  • “Como eu viabilizo o crescimento?”

  • “Como consigo as melhores condições?”

  • “Como faço a narrativa do meu negócio caber em 30–40 minutos?”

Quando você está do lado de quem aprova, o foco muda para:

  • “O risco está bem precificado?”

  • “Quais são os cenários ruins — e o que acontece em cada um?”

  • “A estrutura aguenta um trimestre ruim? E dois?”

  • “O time entrega com previsibilidade e governança?”

  • “Se der errado, como eu protejo o capital (e a reputação) envolvida?”

Essa mudança de foco traz uma diferença fundamental:um banco ou fundo não está apenas escolhendo um ‘sim’ — está escolhendo quais ‘nãos’ dizer também.Porque capital, tempo de comitê, limites de risco e atenção são finitos.


O que não muda: gente boa e negócio bom continuam ganhando

Apesar de toda a técnica, modelagem e processos, tem algo que permanece constante:

bons negócios e boas pessoas continuam sendo o centro.

O lado “institucional” pode parecer impessoal, mas a realidade é que as decisões continuam passando por julgamento humano: confiança, consistência, transparência, histórico de execução, qualidade da comunicação e clareza de prioridades.

A diferença é que, agora, eu vejo com mais nitidez como algumas atitudes aceleram a confiança — e como outras atrasam (ou quebram) a conversa.

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