Do outro lado da mesa: hoje eu sento ao lado de bancos e fundos
- Tiago Stangherlin Lexto
- 18 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Por muito tempo, eu estive “do lado de cá”: apresentando planos, defendendo projeções, negociando condições, respondendo perguntas difíceis e, principalmente, tentando traduzir o meu negócio para a lógica de quem coloca capital em movimento.
Se você já viveu isso, sabe como é. A reunião termina e fica uma mistura de sensações: esperança, ansiedade, aquela vontade de ter respondido melhor uma pergunta, ou de ter trazido um dado a mais. E, em alguns casos, a impressão de que o jogo é “frio” demais — como se a sua história tivesse sido reduzida a uma planilha.
Hoje, a vida me colocou do outro lado da mesa. Eu passei a atuar ao lado de bancos e fundos, olhando oportunidades com as lentes de crédito, risco, governança e retorno. E a primeira constatação é simples (e talvez desconfortável):
não é um lado mais fácil — é um lado com responsabilidades diferentes.
A seguir, compartilho alguns aprendizados dessa virada de cadeira. Sem romantizar, sem demonizar ninguém, e com a intenção real de aproximar as duas pontas.

O que muda quando você passa a alocar (e não apenas buscar) capital
Quando você está captando, o foco naturalmente é:
“Como eu viabilizo o crescimento?”
“Como consigo as melhores condições?”
“Como faço a narrativa do meu negócio caber em 30–40 minutos?”
Quando você está do lado de quem aprova, o foco muda para:
“O risco está bem precificado?”
“Quais são os cenários ruins — e o que acontece em cada um?”
“A estrutura aguenta um trimestre ruim? E dois?”
“O time entrega com previsibilidade e governança?”
“Se der errado, como eu protejo o capital (e a reputação) envolvida?”
Essa mudança de foco traz uma diferença fundamental:um banco ou fundo não está apenas escolhendo um ‘sim’ — está escolhendo quais ‘nãos’ dizer também.Porque capital, tempo de comitê, limites de risco e atenção são finitos.
O que não muda: gente boa e negócio bom continuam ganhando
Apesar de toda a técnica, modelagem e processos, tem algo que permanece constante:
bons negócios e boas pessoas continuam sendo o centro.
O lado “institucional” pode parecer impessoal, mas a realidade é que as decisões continuam passando por julgamento humano: confiança, consistência, transparência, histórico de execução, qualidade da comunicação e clareza de prioridades.
A diferença é que, agora, eu vejo com mais nitidez como algumas atitudes aceleram a confiança — e como outras atrasam (ou quebram) a conversa.


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